terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O verdadeiro espírito do natal

Para mim dezembro é, como já o escrevi, a magia que nos une, as mãos que se entrelaçam, os corações que se aproximam, as lágrimas que nos aquecem.

Longe de competições, de jogos de poder, de guerras e interesses, para mim dezembro é poder ver alguém feliz. Fazer o sol brilhar no coração de alguém magoado, ver uma estrela brilhar em alguém doente e sem força.

Amanhã é um dia especial, faz 8 anos que vi partir alguém muito especial que me deixou marcas imensas. Alguém que me fazia rir e ainda hoje me faz imitar macacos como ninguém. Alguém que acompanhei em tratamentos intermináveis, alguém que lutou 10 anos contra a doença da moda, o cancro.

Na semana passada, ainda por causa do presépio da Maria Rita, recebi um telefonema. Era um pedido especial. Alguém que queria muito o nosso presépio para o oferecer. Em causa estava uma doença oncológica. Eu já me tinha comprometido a oferecer o presépio ao Centro Social para o leiloar e angariar fundos, mas comprometi-me a fazer outro.

É claro que nunca seriam iguais, mas seria feito com muito amor e carinho. Reunimos forças e fomos em família apanhar pedrinhas. E no final ficamos todos de coração cheio.

Esta é a maior vitória de todas, sentir que o verdadeiro espírito de Natal pode chegar ao coração de quem precisa.
Dou e darei a minha vida para salvar a minha filha de uma doença crónica que ainda nos persegue. E sentir que somos todos mais felizes a fazer o bem é o nosso troféu.
Não vamos ser ricos, vamos ser felizes!

Amanhã é um dia especial e eu só espero boas notícias, sorrisos e lágrimas de alívio. Vamos estar todos a torcer por vocês.

O presépio da Maria Rita continua à espera dos vossos votos aqui. ♥️


[Este é o segundo presépio, que foi oferecido para uma causa muito especial. Força!]

sábado, 9 de dezembro de 2017

José [11 meses]

Parabéns minha estrela.

Vou repetir-te sempre ao ouvido que nasceste para me salvar. E salvas todos os dias com o sorriso mais matreiro e doce.

Vou dizer-te, até ser velhinha, que juntos vamos conseguir, juntos vamos vencer, juntos vamos ter força para reerguer o castelo dourado dos contos de fadas que me fazes acreditar que existe.

Obrigado meu amor por estes loucos 11 meses em que me soubeste agarrar à vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O presépio da nossa família

Todos os anos somos convidados pela escola dos nossos filhos a contribuir para um enfeite de natal.
Este ano na escola da Maria Rita o desafio foi fazer um presépio, com material à escolha e haveria um concurso no Facebook, o presépio que reunir o maior número de "gostos" será o vencedor.

Comecei a pensar no tema logo que vi o desafio. E como há muito tempo queria fazer um quadro com o que a natureza nos dá, resolvi que era agora.

Pedi ao pai para ir à praia apanhar pedras, expliquei qual era a ideia e tendo em conta os requisitos e o tamanho lá trouxe uma colecção de pedras de várias cores e feitios. Os ramos foram podados das árvores do nosso jardim.

Fizemos várias experiências. Com fundos de várias cores, com várias figuras e com diferentes molduras. Esta foi a versão final.

O presépio está a votos no Facebook, se quiserem, podem contribuir com o vosso dedinho esticado para cima clicando na foto e vão fazer uma família feliz.

Entretanto e após vários comentários, decidimos doar o presépio (quer ganhe ou não ganhe) à instituição e sugerimos que fosse feito um leilão. O dinheiro reverterá para a creche. Para a escola que tanto tem dado à nossa família. 

Será com o coração cheio que ficaremos este natal se esta ideia tiver mais e mais apoio.

Podem votar aqui.

Obrigada.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dezembro chegou

Espero sempre por dezembro como o salvador da pátria. Às vezes espreito pelo nevoeiro e até me parece ver D. Dinis, intacto como se tivesse saído apenas para comprar pão.

Dezembro trouxe-me o primeiro filho. O meu menino Jesus. Um sonho depois de muito sofrimento, por isso Dezembro lembra-me o cheiro quente de um bebé que parecia moreno e se transformou no meu bunny blue, sem miráculos nem falcão traça, mas muitas forças para combater (desculpem os que não seguem as séries Infanto-juvenis).

Quero sempre acreditar que há uma força invisível que me traz à superfície em dezembro. Mesmo quando os monstros te perseguem e te desorientam. Mesmo quando pareces perder o norte, há uma estrela que me guia. Talvez a que tenha partido num dezembro frio com a certeza de ser mortal e com a convicção que as lutas se fazem na terra.

Daqui a 3 semanas é natal. Tenho 3 filhos maravilhosos que sabem de cor o meu cheiro e reconhecem o meu olhar por entre a multidão. Não interessa a condição física, a idade ou se estão doentes, interessa a magia que é tê-los por perto. E mesmo no meio da crise, isso é realmente natal.
Não interessa onde vais estar nessa noite, que se quer em família, mesmo quando os outros te tentam destruir todos os dias mais um pouco. Tens o principal contigo e dentro de ti e não há embrulho mais perfeito do que esse.

Começo dezembro agarrada à máquina de costura, costuma ser boa conselheira, mesmo que a noite te deixe a visão turva e a linha teime em não entrar na agulha.

Não vivo com muito. O suficiente, para os meus filhos não terem frio nem fome. Recuso ser barriga de aluguer das ideias dos outros, e continuo a ser  produtiva para quem realmente sou necessária.

Vivo num país com leis que os outros insistem em romper, com punhais disfarçados de sinceridade. Mas na roda da vida, deixo o veredicto para o juízo final.

E ouço a música:
"entre a chuva dissolvente
No meu caminho de casa
Dou comigo na corrente
Desta gente que se arrasta
(...)
E o que foi feito de mim?"


A árvore de natal já está feita, há luzes a piscar enquanto cantamos as músicas de sempre. Não há presentes comprados, não há calendários do advento nem desejos de algodão, mas estamos nós, de pé ou a reerguer o que sobrou.

No último dia de novembro, ainda entre a confusão e o choque. O choro abafado pelo sorriso do meu filho e pela companhia mais que perfeita, olhei para o céu e vi centenas de tsurus.


Nesse dia prometi que iria construir um exército deles. Porque a sonho pode realmente combater o mundo cinzento que insiste em derrubar.

"Já sei que hei-de arder na tua fogueira Mas será sempre sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira
À minha maneira.
Por esta estrada
Por este caminho à noite
De sempre
De queda em queda
De passo a passo
Andando
P'ra frente"

Passei o fim-de-semana a ouvir Xutos e a lembrar memórias. Memórias, cheiros e sítios e pessoas que é o que a música nos dá.
Olá Dezembro, traz-me o que tanto preciso. Não quero nada caído do céu, como a chuva desejada, quero apenas o retorno de todo o meu esforço.
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A árvore de natal de 2015. Gosto de árvores diferentes, mas quando tenho bebés por perto, a imaginação tem mesmo de funcionar. Obrigado a quem me ajuda a realizar os sonhos.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Novembro a terminar

E apesar do esforço que fui tentando fazer para reviver momentos bons também passados em novembro, no último momento consegui perder o chão.

"A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita"

Num dia de contrastes. Tantos... Mais uma perda.

"De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São as minhas esperas"

Mas no meio dos fantasmas e dos murros no estômago recordo a coreografia com a minha irmã, naquele verão quente em Vila Flor.

"Ela sorriu
E ele foi atrás
Ela despiu
E ela o satisfaz
Passa a noite, passa o tempo
Devagar
Já é dia, já é hora
De voltar
Aqui ao luar,
Ao pé de ti,
Ao pé do mar,
Só o sonho fica só ele pode ficar."

Acabo novembro quase com a mesma certeza do início. Porque a vida também nos pode lembrar que quando se perde, é difícil voltar a encontrar, não voltamos a ser os mesmos, não voltamos a pisar o risco.

"Por sinais perdidos
Espero em vão
Por tempos antigos, por uma canção Ainda procuro, por quem não esqueci
Por quem já não volta, por quem eu perdi"

Porque a memória vai sendo o que de melhor a vida nos oferece.

"E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé... Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme"

Obrigada Zé Pedro. Até sempre.

sábado, 25 de novembro de 2017

Falta um mês para o natal

Falta um mês para o natal. O tempo passa a uma velocidade tão estonteante que às vezes até me assusta.

Entretanto começaram as listas para o pai natal. Felizmente o José ainda não sabe o que isso é (vai ser o primeiro Natal dele) e a Maria Rita ainda não percebeu que é preciso pedir e fazer cartas e essas cenas....

Mas o João consegue ocupar o lugar dos 3 com alguma destreza.

Na verdade, este ano está muito controlado e o único "brinquedo" que pediu e que é o primeiro item da lista foi: uma bola azul e branca (a sério João? Outra bola?).
Claro que não se fica por aqui, porque o João quer muito conhecer o Cristiano Ronaldo e ir jogar para o Real de Madrid e pede isso ao barbudo, porque só mesmo ele para cumprir sonhos (o melhor é oferecem-me já os chapéus para desempenhar bem o papel de mamãe Dolores).

Pelo caminho pede ao velhinho "1000€ para distribuir pela família" (ele recebe e partilha, os primeiros 100€ já garantiu que são para a prima Raquel!). Aqui está o verdadeiro espírito do amor e de Natal!

Mas há um pedido na lista que me está a fazer espécie. O quê?
Querido pai natal, o meu filho João pede "um irmão novo". Isso mesmo, outro irmão, outro bebé a sair das entranhas desta mãe cansada e arrasada por meses e meses sem dormir.
Ele pede segredo, não quer que a mãe saiba para não ficar triste e a Raquel assegurou-lhe que a B. pediu muito ao pai natal um irmão e conseguiu.

O João não quer que eu saiba, porque o meu último parto não foi bonito. Não escrevi aqui porque sei que há muitas grávidas desse lado. Não é bonito sentir que estás com as entranhas abertas e a passar para o outro lado enquanto ouves de fundo o choro do bebé. Não é bonito aquela cena "à Dexter" com sangue a esguichar em todas as direções e estiletes a entrar a sangue frio pelo corte ainda fresco, preso com agrafos, como no século passado. Não é bonito e estejam descansadas que a probabilidade disto acontecer só a mim é muito grande. Não tenham medo.

Por isso querido pai natal, este ano sou eu que te peço, dá-lhe tudo, dá-lhe bolas, dá-lhe maços de notas, dá-lhe as viagens para Madrid e boas notas, mas por favor, poupa-me. Se decidires arriscar, vou-te rapar essa barba com um estilete em brasa e vai haver muito sangue pelo ar. Tranquilo, tudo sem dor e sem ouvires anjinhos a cantar!

Obrigada.

A carta em 2015 >>> aqui

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Que se lixem as golinhas

Por norma sou adepta de mandar a Maria Rita para a escola com roupa prática e já basta quando ela sisma de fazer combinações aberrantes, dou-lhe sempre alguma margem, mas controlada.

Porém, em outubro houve a tradicional sessão fotográfica da escola e lá foi de "pincexa" como ela tanto gosta. Como os bodies com golas tinham deixado de servir e só de véspera me lembrei desse pormenor, lá consegui encontrar uma camisola com um franzido, simples, para dar graça ao conjunto.

Quando a fui buscar, os meus olhos bateram na gola e ia tendo um colapso. Percebi que a fotografia tinha sido tirada com a gola por dentro do vestido. E juro, apeteceu-me chorar.

Apesar de me terem assegurado que ela tinha ficado bonita para xuxu, só quando vi as fotografias é que respirei fundo e pensei "que se lixem as golinhas, a miúda é linda de qualquer maneira!".

Não sou grande adepta de folhos exagerados e muito menos aquelas golas à Camões, com triplo franzido e debruadas a renda de bilros. Mas uns apontamentos conseguem fazer de um vestido simples um conjunto feliz. Depois disto prometi a mim mesma que não volto a stressar com mariquices. A miúda tem bons genes e sinto que não se vai envergonhar quando olhar para as fotos em 2045.

[Uma das fotos da escola]
[Se conseguirem tirar os olhos da taça de mousse, era esta a gola que ficou esquecida]

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Mais um novembro

Estávamos em 2007 e eu tinha começado uma nova etapa da minha vida: o mestrado que acabou por ser apenas uma pós-graduação.

Não me trouxe um futuro profissional de excelência, como muitos julgam que serve o ensino superior, mas deu-me amizades excelentes e para a vida. E mostrou-me que na vida pode haver vários percursos, vários caminhos, alguns becos e muitos obstáculos.

Mas este novembro foi o que me trouxe afirmação profissional, tinha começado a dar formação. E das várias profissões pelas quais passei, esta foi sem dúvida uma luz na minha vida. Porque é bom dar competências aos outros para que eles possam trabalhar, virar a página da vida, sorrir ou apenas serem pessoas mais enriquecidas. 

Nunca ensinem nada, mostrei apenas como se coloca o isco no anzol, como pegar na cana e como se pode pescar. Mas aprendi muito.

Dar formação é aliás uma aprendizagem constante. É nunca parar, de ser e de aprender. 


Não, eles não eram todos iguais. Não, eles não eram todos brilhantes.  Não, eles não eram todos da mesma idade e muito menos da mesma faixa etária. Mas eram e são únicos. Cada um. Ali, como na vida.

Fui imensamente feliz. Realizada e durante anos foi este o meu mundo.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Blog do ano (na categoria...)

Parece que ontem houve uma cerimónia para entrega de "troféus" dos blogues do ano.

Peço desculpa não ter partilhado as fotos e vídeos com os meus troféus, sou uma "blogueira desnaturada". Não faço vídeos, não faço "stories" no Instagram, não tenho uma morada para as marcas me enviarem presentes e faço os possíveis por não partilhar o meu cocó por aqui.

Mas podem ter a certeza que por estes dias, venci várias categorias, a saber:
- prémio Queen of the night (mudar roupa das camas várias vezes por noite);
- prémio stilist (mudar roupa ao bebé mais de 3 vezes em meia hora);
- prémio super-sexy (com sopa na testa e a cheirar a vomitado);
- prémio família (dormir no chão porque a nossa cama está com a lotação cheia e o bebé continua a tossir e vomitar);
- prémio resiliência (fazer o jantar, auxiliar nos trabalhos de casa, limpar ranho, cocó e vomitado, preparar banhos e pijamas, dar colo, limpar lágrimas, preparar lanches, e ter coragem para enfrentar a noite e novamente o amanhecer);
- prémio entretenimento (fazer máquinas de roupa em looping, incluindo os edredons vomitados e os lençóis que lavam e secam no mesmo dia);
- prémio revelação (se eu sabia que era para isto já tinha comprado um vibrador!).

Nada disto é sarcasmo, muitos dos vencedores são blogs que eu leio,  acompanho e gosto. Mas se vocês conseguissem imaginar a vida que está dentro desta vida. Se vocês conseguissem sonhar com o que me faz rir ou chorar, pensar, criar e fazer.
Obrigada a quem está desse lado, este continua a ser o sítio onde lavo a alma e recupero os sentidos.

Aqui estão os troféus....

domingo, 12 de novembro de 2017

Novembro feliz

Vamos lá voltar ao exercício.

Mais um novembro feliz...2009.

4 de novembro, 13h20 nascia a nossa primeira princesa. Foi com ela que comecei a olhar para o cor-de-rosa, os vestidos e as Winx. Foi com ela que aprendi que é possível passarmos pela mais maravilhosa transformação emocional e pessoal.

A Raquel foi a primeira princesa, na família, num ano que também não estava a ser fácil. Foi ao pegar nela pela primeira vez que percebi que queria muito ter filhos, que o meu relógio biológico disparou e só sossegou 13 meses depois.

A Raquel é a paixão dos irmãos e dos primos. O João tem um amor verdadeiro por esta miúda, de tal forma que não imagina nenhuma melhor para namorada. "É a ela que eu quero!", repete sempre que lhe explicamos que a Raquel tem muitos graus de parentesco e não pode ser "a tal".

A Raquel é uma força da natureza. A Raquel consegue transformar os meus novembro's em meses coloridos e risonhos.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Desafio #1

Vamos lá então para um desafio, será o primeiro de muitos, espero!
O retorno será a compilação, em forma de guia, como um pilar de entreajuda.

Sim, e então qual é o desafio?
Vou lançar um tema por mês e peço que vocês me façam chegar as vossas histórias reais, situações pelas quais já passaram (ou estão a passar), o que sentiram e o que fizeram. 

Podem escrever por email (pontojota.blog@gmail.com) ou se não se quiserem identificar podem deixar um comentário anónimo aqui no blog. 

As vossas participações não serão identificadas e em caso de publicação será retirada toda a informação pessoal e que possa ser passível de atribuir identidade.Terá a participação de outros profissionais (médicos, enfermeiros, psicólogos, advogados, contabilistas, professores, etc).

O tema deste mês é: traição.
Digam-me se já foram traídos e em que tipo de relacionamento. Foi a namorada? O marido? O irmão? Aquela amiga especial? O primo zarolho que tinham como irmão? A avó que era como uma mãe?
Como descobriram?
O que fizeram?
Como se sentiram e como estão neste momento em relação a esse acontecimento.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

José [10 meses]

10 meses de José, hoje.
10 meses de um bebé sorridente, com uma energia contagiante e muito aventureiro.

Para que fique registado, hoje, pela primeira vez, caíste de sono. Assim. Num momento estavas a brincar e no momento seguinte estavas pedrado a dormir, como se alguém tivesse desligado a ficha.
[É só uma virose, não se iludam, que eu também não.]

Parabéns José!

[o momento em que aterrou]

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Do cansaço

No fim-de-semana perdi o meu cartão multibanco.
Só dei por ela ontem, quando precisei dele e não o encontrei no sítio. Sacana.
Revirei tudo, carteira, bolsos, carro e comecei aquele exercício de reviver todos os passos até ali.

Não consegui perceber qual foi o momento, sabia apenas qual a última vez que o tinha utilizado.

Podia ter entrado em choque. Mas estava  sozinha com o José, na rua, e não dava jeito ficar sem chão. Respirei fundo e continuei a ser mãe - aquele ser perfeito aos olhos dos nossos filhos (pelo menos enquanto não entram na adolescência!).

A saga do cartão desaparecido terminou hoje. Tinha sido capturado numa máquina multibanco por... Esquecimento!!!!

Quem me conhece bem, sabe que eu não sou destas coisas. Esquecer-me ou perder coisas é normalmente um grito surdo que o cansaço me está a engolir.

Já vos disse que o novembro não é fácil para mim?!
Para ajudar, o frio voltou e as dores intensificam-se. Tenho sono. E não me estou a queixar.

Sou grata por tudo o que tenho, por tudo o que sou. E acreditem, o pouco tempo que tenho a cabeça na almofada, tenho a minha consciência tranquila, muito tranquila.

Nota de rodapé: por este andar, só tenho medo de me esquecer de um dos meus filhos.
Já podem fazer queixinhas à Segurança Social, desde que isso tenha como consequência um internamento compulsivo num resort de luxo com direito a massagem duas vezes por dia.
Obrigada!!!!

domingo, 5 de novembro de 2017

Novembro chegou

Novembro não é um mês fácil. Tenho no meu currículo vários episódios traumáticos que me levam a desabar, a querer manter-me à tona quando algo dentro de mim me empurra para o abismo.

Este ano decidi fazer um trabalho interno, para abafar o monstro: percorrer a minha memória e encontrar coisas boas, muito boas ou espetaculares que se passaram em novembro e me podem "salvar" da minha própria angústia.

Este será um de muitos, espero, porque ainda estamos no início, pelo meio lá falarei do desafio, que não está esquecido.

O primeiro novembro que tropeço em êxtase é o de 2014. Não estava a ser um ano fácil. Diria mesmo que tinha deixado já de acreditar. Tentava há mais de um ano engravidar, e quase tudo na minha vida parecia estar estagnado. Numa segunda-feira de manhã, pego num teste de gravidez XPTO, tinham sido vários nesse ano, deitados ao lixo com as lágrimas a lavarem-me a alma. Faço o meu xixi, sem pressa e sem esperança, como andei durante meses a fazer os testes de ovulação para tentar entender o corpo. Entretanto Mr. Rabbit entra na casa de banho e fica sentado a conversar.
O tempo passou sem dar por nada, a conversa ajudou a ampulheta a dar as suas voltas no monitor do teste XPTO. E quando olho novamente leio "Grávida". Pisquei os olhos. Voltei a ler. "Grávida 2-3". O coração começou a acelerar, exclamei qualquer coisa como "oh, não acredito!"

Abraçámo-nos. Passei o resto do dia a flutuar. Lembro-me de ter tido medo. Um medo quase irracional, por acreditar que já não me fosse permitido voltar a viver a emoção de um positivo e de voltar a ser mãe.

A vida foi-me Grata. A Maria Rita nasceu, depois daquele SIM em novembro de 2014. A Maria Rita continua a encher o meu coração de Sim's, de beijos, abraços e sorrisos. A Maria Rita tem o "mamã" para o momento certo para acalmar o monstro que ainda mora dentro de mim.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Bi-dente atravessado

José, o meu bi-dente atravessado...
Os dois incisivos inferiores do José nasceram assim, atravessados, como ele.

O meu bi-dente atravessado adora morder sapatos, comer cascas de cebolas, lamber os sacos do eco-ponto.
O meu bi-dente atravessado dorme uns sonos de caca e cocó é uma cena muito difícil e já tentamos quase tudo (do científico ao popular).
O meu bi-dente atravessado adora animais. Corre a casa toda atrás das gatas e adora relaxar a meter a mão na ração delas. 
O meu bi-dente anda a treinar trepar. Já coloca os bonecos todos juntos no parque e encavalita-se para dar lanço.


O meu bi-dente atravessado está muito crescido.
O meu bi-dente atravessado é simpático e fala grosso.

Não se aguenta....

[Fiquem atentos(as) que esta semana vou lançar um desafio]