segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Início do ano letivo

Setembro começou e tal como costumo dizer, este é realmente o meu início de ano (sim, para muitos é na passagem de ano, para outros no aniversário, para mim é setembro).

Setembro começou e este ano foi difícil caramba! Não bastava que a vida me trocasse as voltas com uma criança, uma bebé e grávida, sozinha, ainda tenho de surfar sozinha em marés incertas e cheias de truques e muitas partidas.

Como já o tinha dito, o João faz parte daquele grupo de crianças (uns mártires, digo-vos já!) que faz anos após 16 de setembro.
Tal como diz a lei, (o novo despacho não alterou estas regras) só as crianças que completam 6 anos até 15 setembro têm entrada obrigatória no 1° ciclo.
E eu não sou nada fundamentalista em relação a isto, tentei sempre perceber em que fase o João se enquadrava e ia gerindo o melhor para ele. Também já aqui falei que atrasei a entrada dele no pré-escolar porque entendi que não tinha maturidade e que seria um crime abolir a sesta, por exemplo (continuo a achar a privação de sono uma aberração em crianças tão pequenas, mas não é fácil contornar esta situação no ensino público).

Eu até nem me importava que ele ficasse mais um ano no pré-escolar, sou sincera, na verdade o João vai ter meninos quase um ano mais velhos (os de janeiro) na mesma sala. Mas a professora, a médica e a psicóloga, sempre me disseram que seria pior retê-lo nesta fase. Pois é, nem todas as crianças ficam preparadas no dia que fazem os 6 anos e depois há os que mesmo não tendo os 6 anos apresentam sinais evidentes que estão aptos. E o que eu não entendo é que a lei seja tão castradora.
O João é uma criança normal. Não é sobredotado, não sabe línguas e o teorema de Pitágoras, ainda não leu Os Lusíadas (mas sabe quem é o Camões), sabe os dias da semana e conta os números de trás para a frente, mas  escreve em espelho letras e números. O João não decora nada que não goste, sabe rezar ao "anjo da guarda" porque acha que é uma lenga-lenga, faz contas de somar e subtrair (com ajuda dos dedos), e sabe ler algumas palavras (por grafia). Reconhece o nome dele ao longe e escreve-o desde os 3 anos.

Nas listas de final de julho, o João entrou na primeira opção da escola básica do 1°ciclo. Uma mudança de agrupamento, a pedido dele (essa criança de 5 anos tão imatura e sem capacidade para gerir emoções) e ditada pelas circunstâncias do agregado familiar. Estas deveriam ser as listas finais, mas na verdade nunca foram afixadas listas provisórias (um pormenor). Em Agosto recebo um telefonema do agrupamento, a informar que o João tinha passado para a segunda opção, porque tinha havido um problema com as listas anteriores.

Li a legislação de trás para a frente, voltei a ver as listas, a comparar, a tentar perceber. Ouvi os argumentos do agrupamento e tentei enquadra-los na legislação e percebi que valia a pena comprar a guerra. Principalmente quando há professores-doutores (aqueles cujos títulos são dados nos corredores para o wc mas que nunca terão competências profissionais e pessoais para assumir tal título) que te dizem: "o seu filho tem 5 anos não tem o direito a entrar no 1° ciclo, devia estar na pré". E tu enches o peito de ar e respondes: "o meu filho teve a infelicidade de nascer em Dezembro, mas vai entrar certamente no 1°ciclo, nem que seja noutro agrupamento ou até mesmo em ensino domiciliar".

Este ano o ministério da educação afixou o intervalo para início de ano entre 8 a 15 de setembro.
A luta durou mais de um mês e a resposta chegou na véspera da escola começar, no dia 13 de setembro.

A luta do João, que foi minha (grávida e com uma bebé recém operada, sempre numa montanha russa, sozinha num barco sem leme, a remar contra as direcções mais incertas) teve o desfecho desejado. O João foi novamente integrado na primeira opção.

Podia acabar aqui esta história? Podia, mas isso seria no mundo ideal.
A escola começou. Começou? Não, não começou. A escola abriu as portas e as crianças do 1° ano não têm professor. E não há funcionários (auxiliares) a dar apoio na escola.

Boa maneira de começar a tão desejosa caminhada, 23 crianças espalhadas alegremente por outras salas de aula e a começar a aprender que o mundo é uma selva e vão ter de arregaçar as mangas. É assim que se cresce!
Entrei para a primária na década de oitenta (ou oitchenta como diria o outro), numa altura em que havia muitas crianças e não me lembro de haver este circo!)

Eu vou continuar a lutar pela escola pública. Mas isto de dar autonomia aos agrupamentos deixa-me louca, porque a proximidade das populações não traz sabedoria mas sim muita incompetência.
Eu vou continuar a lutar pela escola pública, mas podem acreditar que se me saísse o Euromilhões eu não me matava a ser justa e a querer salvar o mundo, dedicava-me apenas a ser feliz, que já dá muito trabalho.

Boa sorte filho, apesar dos teus 5 anos, sei que vais fintar as adversidades muito melhor que os adultos que teimam em fazer regras muito próprias, sem olhar para os lados, apenas para o próprio umbigo.

Hoje, segunda-feira, quando o deixei na escola já havia professora e pedia aos pais para entrar na sala para reunião. Sem pré-aviso ou reserva, que isto de ser pai/mãe é para quem quer e não para quem pode.

Para breve as cenas dos próximos capítulos e o início do ano lectivo da Maria Rita.



1 comentário:

Matilde disse...

Nao podia estar mais de acordo com este post, tambem eu acho que o ano comeca agora em Setembro, desde os tempos da escola que penso assim, sta altura para mim e sempre de recomeco :) Ah e concordo plenamente com a ideia de que nao fazer sesta e tortura sim, eu e os meus manos sempre fizemos a sesta e so nos fez bem, e o bebe Lu vai pelo mesmo caminho :)
Bom ano lectivo, Joao :)
Bjinhosss