segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Maria Rita - de volta à escola

Então e a Maria Rita também vai à escola? Sim.

Foi um início um pouco atribulado, por questões diferentes das do João.

A Maria Rita já tinha andado 3 meses no berçário, mas por questões de saúde teve de sair.
Passou a estar 24 horas comigo. Esteve bem, de saúde. Evoluiu e fez-se (ainda mais) regateira.
O elo tornou-se ainda forte. O pai foi trabalhar para fora, o irmão saía para a escola e ela ficava muito esporadicamente com os avós (umas horas).
Dias e dias seguidos as duas. Conversas, brincadeiras, noites sem dormir, experiências com comida e muitas gargalhadas, cantorias e danças.

[Sim, a Maria Rita só tem dois dentes e não diz palavra nenhuma de jeito (para além de mamã) e já se sabe que a culpa é minha!!!!]

Nunca fiz muitos planos. Sabia que um dia teria de arriscar a normalidade. Mas sem pressa. Entretanto os médicos decidem operar, eu engravidei e ela desmamou por decisão sua no dia em que completou os 13 meses.

Um pós-operatório relativamente tranquilo para ela, mas o meu útero começou a dar sinais de alerta.
Começamos a ponderar integrar novamente a Maria Rita na creche.
Os médicos dão o ok, o optimismo é generalizado entre os médicos que acompanham a doença crónica da Maria Rita.

A andar desde os 13 meses e meio. O regresso à mesma escola, agora na sala de 1 ano. A minha menina. O meu docinho.
Foi de mão dada com o mano. Tentou voltar para trás ao reconhecer o lugar. E chorou.
Chorou para ficar. Chorou quando a fui buscar. E os dias repetiam-se.

Eu ficava com o coração a gritar. Fazia-me de forte, deixava depois o João na escola e chorava até me obrigar a distrair. Comprava pão, iogurtes, fraldas e toalhitas. Renovava o guarda-roupa dos dois e tentava descansar.

Nos primeiros dias menos tempo. Sempre a contar as horas para ir buscá-la e o peso, a culpa, a dor de não estar a fazer o melhor pelos meus filhos.

Mas e este filho? E se acontece alguma coisa e tenho de ficar internada? Meses? A força voltava aos poucos. Vamos vivendo.

Duas semanas depois e o choro começa a reduzir. A mudança de colo é o momento mais problemático mas passa rápido. Dou-lhe sempre um beijo, um abraço e digo que a vou buscar depois do lanche. À tarde também já não chora tanto quando me vê e já dei com ela a brincar e a reclamar brinquedos com os novos amigos.

As noites voltaram a ser caóticas. Nunca foram calmas (a Maria Rita dorme muito mal), mas neste momento começo a sentir que começou o estágio de preparação para o parto.

Há dias que me sinto a enlouquecer. Mas ser mãe é um bálsamo, quando os gritos acalmam, as respirações sincronizam e a terapia do abraço resolve (quase) todos os males.

A minha menina está a crescer. E eu que sempre tive tantas teorias sobre o filho perceber agora que a Maria Rita tinha mesmo de ser a filha do meio. O karma é tramado.


O João está a gostar da nova escola, dos amigos e da professora*. Muito motivado, responsável  e aplicado. O João parece ter nascido para isto, parece que vagueou estes anos para conseguir começar esta aventura. E eu gosto de o sentir feliz!

*Fica para outro post as reações à professora (do filho e do pai).

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